quinta-feira, 24 de novembro de 2011
PONTO AFINAL
terça-feira, 15 de novembro de 2011
SER TESO in CERTEZA
LITER ... ATURO - ME

no meu cortiço me bertolezo
dom casmurro a porta
sou basílio capitulando
joão do rio que corre livre
lima doce em barreto
tenho duvidas ao brás cubo
não encubro o que drumondeio
cheio de pessoa ando
de joões cabrais me rodeio
acerto em cheio
meu coração livro
pra me ler
15/11/2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011
DO BLEED FAST, THE DOUBLE FACE

SOU DO SIGNO DO AVESSO!
CAMINHO AO LADO , MAS NA FRENTE
OLHAR TORTO , ROSTO QUENTE
FAÇO DO FIM ESTRANHO COMEÇO
NÃO ESTRANHO O COMEÇO DO FIM...
SOU DOIS EM MIM !
UM , QUE DIZ : QUERO! MAS RECUA
OUTRO, QUE DIZ :NÃO! E SAI À RUA
SOU PASSADO PRA FRENTE, SOU O FUTURO ADIADO
O PRESENTE ABERTO, INCERTO , FALADO
A MELANCOLIA IRÔNICA
E A DOR SUPERCÍNICA E SUPERSÔNICA DE SER
DESCOSTURADO
ROTO
REFEITO
ATENTO
NEOBARROCO
ROUCO DE TANTO CALAR
POLICARPOQUARESMO-ME
WILDEMIZO-ME
NIETZSCHEIO-ME
BAUDELAIREZIMO-ME
DE PESSOA ME PERMEIO
E EM PESSOA
ME RECHEIO
DE DOIS
QUE
SOU.
FABIO EGGER
03 de Novembro, 2011 04:50
( GÊMEOS que sou , me dupliscrevo)
domingo, 25 de setembro de 2011
RESPOSTA

quinta-feira, 15 de setembro de 2011
DÁDIVA

sexta-feira, 2 de setembro de 2011
DONA IRONIA
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
INSTANTE NA ESTANTE
segunda-feira, 25 de julho de 2011
NÃO LEIA ESSE TROÇO
Passo por mim meio desconfiado
De lado
Me olho e me encolho
Escolho o melhor ângulo
Aquele que não dói
Não tenho muito tempo no meu relógio de passos tortos
Guardo a vida num vidro
de remédios
proscritos
prescritos
Sinto uma dor mentirosa
Aparento felicidade de proteção de tela
Aquela em que o azul é mais azul
O sonho acabou, o padeiro não veio
O medico sorriu, o amor em falta
Na pauta do dia
a solidão
sólida e grande
Um instante
reflexão tédio monotonia surpresa
A presa solta , liberdade atada
Atrasada
Caduca
Não passo por mim
Passo direto
Não olho pra trás
Me desvio
Será que chego
Ao que enxergo ?
Falta do que fazer
Resultado do tédio
06/12/2010
UM MIX DE MIM

Riso solto e compartilhado, ironia marcante. Olhar grande e mente sempre em ebulição. Sou fascinado por vídeo, pinturas , gravuras , fotos etc, enfim tudo o que é visual...Gosto de dias frios e nublados... sou daqueles que quando acorda e vê nuvens pesadas e falta de sol dá graças ao Criador...odeio sol e calor, fico suado, cansado e mal humorado...Derreto!!! Praia não me motiva a sair de casa...adoro ter a pele clara e branca , jamais vermelha ou queimada pelo astro-rei! Odeio gente rotineira e perda de tempo.Amo a rotina desde que surpreendente . Tenho poucos amigos fiéis porém valiosos, imperfeitamente únicos e imprescindíveis. Conheço muita gente, poucos me conhecem. Sou confiável e tenho pena de quem não é... Sem sarcasmo ou uma pitada picante a vida pra mim é sem graça, não passo insosso pelos outros. Defeitos mil, falo muito , rio na hora errada e sou um pouco crítico( Pouco?).Inseguro as vezes( será que estou sendo chato?hehehe)Gosto de sofisticação e elegância, mas entendo quando não as encontro , elas só fazem companhia aos seus semelhantes...Machucado pela vida mas acariciado por ela mesma, logo depois, sem vergonha que ela é.Sonho muito e alto e não paro até cair da cama da minha inércia.Tenho vários talentos , trabalhados nenhum deles...O AMOR pra mim, essa entidade tão disputada e falada, ainda é mistério, mas creio no amor de amigo, um presente sempre presente. Ficar sentado enchendo a cara só se for de papos sobre o mundo, a vida e essa merda toda. Creio em Deus, mas com reservas...do jeito que dizem que ele é eu fico meio cabreiro...mas nem sempre o que dizem é , não é?adoro humor sofisticado, nada de piada barata, é bom brincar com as palavras e com o “imbrincável”.rir do que é sério ou trágico me faz bem e caricaturar autoridades ou poderosos é muito divertido.Sonho com um AMOR, mas acordo com a vida e ela é FODA. Amo minha família , brigando ou amando, rindo ou chorando , de preferência aos domingos...Durmo acordado e acordo dormindo , mas já falando e tagarelando...tagarelar é pra quem pode,os que não tem esse dom, ressentem-se... perdoai –os senhor , eles não sabem o que perdem...Minha maior qualidade ainda não encontrei , agora meus defeitos, com esses vivo esbarrando...gosto de festas e gente ,mas só se a alegria for genuína e não comprada em garrafa .E por falar em garrafa, se um gênio saísse de uma e viesse com aquele papinho pra cima de mim, eu pediria três coisas: mas se quiserem saber ,nem às paredes confesso.Impaciente , eu?imagina , só quero acabar logo isso...
CATÉLICOS

CATÉLICOS*
Encontravam-se à tarde, como de costume. O vento gostoso carioca batizava-lhes os rostos como a dizer: fiquem!! E era sempre assim. Ficavam. Como não aceitar o apelo, da brisa mansa e da amizade cultivada entre ervas daninhas do tempo e da distância?Amigos. Sim, amigos de muitas datas, sempre amigos à tarde. É verdade que a escolha do momento não era realmente uma escolha. Careciam de outro horário para trocar e aprender um com o outro. Mas não reclamavam. À tarde era bom. Entre um refrigerante e um salgado folhado delicioso ou em conversas regadas a cigarro e baforadas de café, substâncias pretas e brancas, grises e etéreas se misturavam ao cotidiano partilhado mesmo que só por meia hora. Eram tão diferentes e tão próximos... tão vespertinos e íntimos... unos acompanhados pois não eram só os dois, outros vinham...e se intrometiam na conversa. Sim, porque a conversa era deles, de mais ninguém... os outros é que se imiscuíam : Foucault, Freud( Fróide ou Frêudi?), a barata de Clarice ou uma frase espirituosa do Dândi por excelência, Wilde, hoje e sempre, amém.
E o tempo fluía... ir embora pra quê?? Tem filho em casa? E o sonho acordado de sonhar a vida fluía, entornava, se espalhava... entre lembranças de uma outra vida tão próxima, essa mesma , mas que parecia tão distante...( lá se vão memórias jogadas).Rir de uma frase que só os dois entendiam e que a outros soava pura idiotia... Que delícia!Gozar mentalmente não é pra qualquer um! ...e como gozavam a presença um do outro, o olhar cúmplice e as confissões que só o eram por força da palavra, pois um quase adivinhava o pecado íntimo do outro, ria por dentro de si para si dizendo: ele não me engana!
E sempre assim, nessa troca quase vampiresca, foram envelhecendo sem contar os anos... e os encontros continuavam... Os segredos partilhados e os cabelos brancos se avolumavam na cabeça e as forças já eram outras e a vida já sorria meio banguela, mas, ainda era a vida. As idéias desgrenhadas se enovelavam e os enredavam fio por fio, numa teia maravilhosa de semelhanças dessemelhantes, mas sem conflito, por incrível que parecesse. Um sentia frio, o outro calor, mas o calor do outro, por uma força incomensurável de aquiescência, tornava-se o frio do outro e vice-versa. Assim. Só por ser. Só por estar. Ainda. Só por. E não questionavam... porque haviam aprendido que a pretexto de discussão muitos se ofendiam e cagavam na amizade perfumada. Preferiam os bons odores da palavra comedida ao futum de ter sempre a razão.
Riam-se de si mesmos e dos outros, venenos escorriam, afinal quem não fala de ninguém?? A gargalhada alta, a plenos pulmões de um ,competia com o gesticular histriônico do outro entre caras e caretas. E se olhassem de cara feia? Deixa, é divertido. Continuavam. Um chá gelado ( vamos pedir mais um?) contrastava com a conversa quente ou com a lágrima morna contida .As viagens do amigo eram mais que viagens , pura divagação santa, quase êxtase católico, pulsando na veia judaico- cristã.A conversa era o momento de comunhão, os livros e poetas transubstanciavam-se em hóstia sagrada, o sacerdote era o coração apaixonado e o templo , o bistrô do Paço Imperial!
Sem trocas materiais, aquelas em que brilha um metal no meio, a amizade se expandia em desejos tão desejáveis que a alma mesmo triste sorria, por que ela sabia com quem podia contar , as vezes até três ,somente , mas contava. Não, não terminava, nem a palavra de carinho nem o olhar de dois meninos levados de escola que escondem um maço de cigarros dentro das calças para o inspetor não ver. Davi e Jônatas sem militância. Sem provar do amor que não ousa dizer o nome, pois esse amor que expressavam abertamente dizia em bom português a que tinha vindo, ido e voltado. Era amor apenas. Só. Sem mãos ou pernas ou bocas ou línguas. Era enlace de cigarros, cafés, cervejas e poesias escritas em papel de mesa de bar. Era amor de estar sentado em uma mureta de terraço, de sugar um cigarro diante do olhar estupefato do outro, vendo o verniz católico derreter e surgir uma base mais humana, não tão dogmática ou careta. Era amor de viagem de ônibus, quantas delas, rindo, conversando enquanto a paisagem assistia os dois e pensava: queria isso pra mim...
Era amor da surpresa esperada, do cigarro escondido que surgia de repente, do nada, de um bolso ou bolsa, mochila ou mãos como de mágico, no meio de uma conversa banal... Era amor de “estou cansado” e outro só dizer “hum-hum... sei o que é isso”. E parecia um diálogo de duas horas, bem decorridas, sem cobranças do tipo “por que - você não -me-ligou-ontem-se-eu-deixei-recado”.
Era amor sim, a despeito do despeito e com “respeito é bom e eu gosto”. E como se gostavam! E como se respeitavam! Era amor de trocas de carícias literárias e místicas. Os Jesuses se misturavam, o católico, o protestante e o espírita num evangelho poli dimensional, durante os debates e embates que na verdade eram afagos no ego um do outro.Era amor de sonho e de um pouco de dor e de morte também, de um segredo de tubo de ensaio , bem guardado e trancafiado.
Era amor de olho cúmplice e de mão amiga, de ferida aberta sem machucar, amor camoniano-platônico, mas com Renatos Russos a se intrometer, até quando o sol batia na janela do quarto e já era dia: “meu Deus daqui a pouco tenho que trabalhar...”
Era amor de ver um homem se tornar menino e um menino tornar-se homem, às vezes, paradoxalmente , ao mesmo tempo .E de ter medo de ser gente grande entre gente pequena .Aquela que a gente não deve pronunciar o nome que dá azar.
Era um amor de crítica literária barata do tipo: você tem que escrever pros outros não só pra você! Enquanto o outro debochava e dizia: Problema! Se os outros não entendem, entendo eu!E riam-se.
Era amor de sangue espiritual partilhado de duas almas geradas no ventre do Cosmo e paridas por acaso, por corpos distintos e lugares nem tão assim.
Mas as leis de atração da metafísica, da metalinguagem e da metanarrativa meteram os dois num mesmo balaio, com menos gatos que o esperado, mas nem por isso mais tranqüilo.
E o amor que conheceram ultrapassava o impassável, o imexível (aquele que o político inventou), o insexável (!?) amor que até namorada desconfiava não existir, por tão distante ser do amor domesticado , de coleira e banho tomado ...
Era um amor de tarde, que atravessava as noites e os dias que cobrava simplesmente aquele momento só, que fosse pra sempre, que ficasse, que não fosse...
Era amor porque era o ápice de ser humano nu e cru por dentro, sem roupa de hipocrisia, nem sapato de conveniência.
O ápice do amor está em desejar o desejo do outro. Pode ser, pois um dia alguém disse.
E eles concordaram sem falar...
E assinaram sem perceber...
Com sangue, lágrimas,cigarros, café e cervejas.
* neologismo utilizado pela primeira vez no ano de 2003, por um amigo que queria de alguma forma encontrar uma palavra pra definir a pessoa que mistura posturas católicas e evangélicas. A palavra não vingou, é verdade, mas o conceito permanece pra quem quiser utilizá-lo entre baforadas de cigarro e citações da bíblia. Amém.



