SEM PALAVRAS - MAS COM PALAVRAS
DEMAIS
Quando a
saudade bate, bato em mim .Bato o rebate .Rebato de peito aberto, mesmo
incerto, a dor que me assalta. Ela salta de dentro pra dentro, não pula, não
corre. Escorre apenas. Então, sem muito que fazer, miro-me no exemplo que me
exemplifica. Por exemplo: quando você fica.
Nada que
possa, passe, embace ou empoce a vida me afasta do que construí no teu peito:
Respeito. Aquela saudade que segue o que
sente, ressente - sente duas vezes.Fica aqui comigo mas esta aí contigo também.
Duplo etéreo de nosso amor – incompreendido pelos que julgam amor uma cadeia,
não uma teia na qual se captura o alimento d’alma, ele se mantém. Mentem os que
afirmam que não o veem. Vem para quem quer, não pra quem pode comprar.
Então, grato
sou por adquirir tão valioso presente e sinto - pressinto – antes de abrir o
laço do recato e rasgar o papel da
apresentação ,que vai ser bom. Por isso me entrego , por isso te trago – qual
cigarro filosófico – ou cigarrócio- o
ócio grego , aquele que produz. Não sei o quanto de mim ficou em você , mas não
importa se a porta já se abriu. O presente está. Se fez. Nasceu.
Em duas
semanas tornei-me teu por anos, milênios, galáxias e sonhos. Medonho era me
sentir sem alma que comigo caminhasse. Mas pé ante pé, sisudamente, mas firme,
surge você. E a vida sorri não mais banguela, mas ela mesma, bela e arrumada.
Cheirosa como nosso contato e chique como nosso carinho. Um choque, mas leve,
relevo arabesco , aroma fresco de sentir, um rabisco forte na parede branca do
nada-por –fazer.
Só resta saber
o que não se saberá nunca, mas se tentará. Se onde pisar, estarei lá ou se
estarei lá quando pisar. Não sinto que, siameses de alma, sejamos separados,
cortados pelo Destino. Desatino se isso acontecer. Ponho-me a correr em sua
direção, do som da sua voz. Atroz seria. Séria situação essa, de não ter o que
já se tem. Espero calmo – e me acalmo pra isso -teu eterno regresso. O encontro
contra tudo o que impede e que pede para ser , estar , permanecer, ficar –
nossos são os verbos de ligação. Gramatica e dramaticamente conjugados na nossa
língua, no nosso dialeto amigo, no idioleto citadino-concreto de nosso amor amigo
nessa nossa densa selva- abstrata da vida.
Te amo ,
AMIGO.
Para vc , hoje
e sempre, AMÉM.
Seu, FÁBIO.
02 DE JULHO DE 2012